quinta-feira, 15 de setembro de 2016
#Pintura_dia_4
A desenhar estou. Para um livro que há de ser e uma casa onde mora uma das pessoas da história, onde o velho problema da simetria. E se não fosse simétrica? É como os rostos que tanto me aborrece desenhar, só me apetece desenhar a metade de cada coisa que se desdobra. É inútil, se as coisas como as pessoas raramente chegam à plenitude porque não somos e as coisas também, apenas a sua metade e, assim talvez mais inteiras? Ou pelo menos mais singulares. A metade das coisas talvez seja uma boa coisa de perseguir.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
#Pintura_dia_3
Hoje entreguei ao meu amigo CC, aniversariante em exercício, um desenho/cartoon brincando com duas das suas atividades favoritas e que não vêm ao caso. O que vem é o processo: quis fazer um desenho e angustiei-me, risquei, fui para a mesa de luz e angustiei-me, parei, guardei-o para o dia seguinte (levantando a possibilidade da sua destruição). Afinal bastaram mais 10 minutos para o terminar. No total perto de meia hora com a preciosa companhia de uma caneta Sakura 0.1, áspera e agressiva. Depois de acabá-lo hesitei em oferecê-lo mas acabei por fazê-lo e foi bom porque ele ficou contente. Esta sensação de insuficiência tem de se transformar num motor e não ser esta parede de desânimo. Tenho de me habituar a desenhar muitas coisas más, sujas, intragáveis, condenáveis e incómodas. Um desenho, pintura ou percurso plástico com arestas, daquelas de ferir se tiver de ser. Obrigado CC pela motivação!
terça-feira, 6 de setembro de 2016
#Pintura_dia_2
Ainda estou no dia um mas ninguém precisa de saber. Quero só falar dos livros que comprei outra vez, deles, o mais importante foi "As Núpcias de Cadmo e Harmonia" de Roberto Calasso. É assim com alguns livros de que gosto, empresto-os, esqueço-me do beneficiário ou este esquece-se de mim, ou as duas coisas (o que faz uma daquelas circularidades que tanto me entusiasmam). E depois, porque inscritos na memória ou um título, ou uma frase, ou uma sensação, lá vou eu armazenar o novo exemplar na prateleira, não sem antes conversarmos um bocado, relê-lo todo ou em parte e depois passá-lo a alguém que me apeteça e que promete sempre devolvê-lo. No fim de contas, se o livro vale a pena, fico contente por contribuir para a saúde financeira do autor.
#Pintura_dia_1
Não consigo escrever, sendo assim vou pintar escrevendo ou o inverso, desde que um acto não viva sem o outro. Quero saber o que fazer com uma écfrase, com mais certeza do que o Vasco Graça Moura (não esquecer comprar livro outra vez e de falar sobre comprar livros outra vez). Interessam-me estas 'circularidades' ou simplesmente as coisas que se agarram umas às outras, como acontece com os meus interesses e leituras. Um livro sobre a história do fascismo que se agarra a um tratado de estética de Hegel que se agarra aos textos de uma senhora escandinava (que ganhou um prémio Nobel da literatura na aurora do século XX, não esquecer de escrever o nome dela nos próximos dias, a minha memória é assim, nada a fazer), dizia eu que os assuntos e os livros e as ambições se agarram umas às outras e que o que é preciso é não ficar baralhado. Dos textos e teorias o que me interessa é passar o meu tempo bem acompanhado, nenhum objetivo maior me acompanha, tirando um ou outro debate com amigos. Isto: a Cultura como uma entidade que me faz companhia, uma espécie de amigo invisível ou imaginário, sempre disponível (os mais crescidos chama-lhe deus para disfarçar).
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